Rescaldos da Lava Jato

16 de setembro de 2020 Off Por Luiz Geraldo Mazza
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A força tarefa de Curitiba queria um prazo de um ano a mais para suas operações que chegam a 400, mas terá a metade desse tempo para agir. Muita coisa de casos anteriores pode ser retomada como se dá na questão das anomalias na transação com usinas eólicas, fatos de 2011 a 2014 que acabaram atingindo Ricardo Barros, o líder governista na Câmara Federal.  É lamentável que contradições geradas pela operação, que mexiam em aspectos ritualísticos dos processos, foram intensamente explorados e criaram hoje uma atmosfera de declínio para a cruzada que teve repercussão mundial e parecia que teríamos uma postura mais consequente contra a corrupção e a impunidade.

O fato é que a maneira como se explorou o tema, desde as gravações do The Intercept Brasil, facilitam esse divisor de águas dentro do STF, que já foi majoritário, e hoje tende a condenar, e isso até no plano doutrinário, a operação. As manifestações de Luiz Fux, presidente do STF, em defesa da Lava Jato, no seu discurso de posse, foi seguida de um relato, riquíssimo como fundamentação,  do relator Edson Fachin, encorajam mas parecem insuficientes para alterar a correlação de forças tanto na segunda turma, com o afastamento de Celso de Mello, como no plenário.

Cartão vermelho

Quem falar em Renda Brasil já sabe: recebe o cartão vermelho de Bolsonaro, mas como os problemas de base persistem o presidente autorizou a busca de um novo programa. Abalado mais uma vez nos conflitos com o presidente, Paulo Guedes age como se isso nada tivesse com ele já que o cartão vermelho visaria alguém de sua equipe. A ideia fixa do ministro é a CPMF, sob nova roupagem, agora visando operações digitais. É verdade que a condição de guru, de orientador, de posto Ipiranga persiste, ainda que acumulando desgastes sucessivos. Ampliar o  Bolsa Família está cada vez mais difícil, uma vez que é inviável imaginar medidas como a do auxílio emergencial que salvou nas áreas pobres o Ibope do capitão. E no meio de tudo isso,. com ministros se movimentando em terreno movediço, o terror pânico de mexer o teto dos gastos que para uns é o fim de tudo e para outros apenas um movimento a mais, dentro da mais legítima tradição brasileira, na direção da gastança.  

Central única

A Central Única dos trabalhadores não é única, ainda que a principal das existentes por sua condição de braço do Partido dos Trabalhadores. Já a CUFA, Central Única das Favelas, como movimento social, ganha o máximo respeito. Há agora em andamento um projeto ambicioso de conectar à internet dois milhões de moradores das favelas brasileiras. Pretende-se iniciar o projeto por Heliópolis que visa, lá na frente, conectar à internet 150 complexos de favelas nos 26 estados e Distrito Federal e disponibilizar 500 mil chips para mães cadastradas nas bases da Cufa em perto de 5 mil desses territórios no país. A iniciativa contará ainda com plataforma de educação e empreendedorismo, o que a diferencia de mero assistencialismo. Há parcerias com empresas, indústrias e bancos e institutos como Península, Humanize e Galo da Manhã.

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