Moro parcial

5 de agosto de 2020 Off Por Luiz Geraldo Mazza
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Na votação sobre delação de Palocci, chegou-se à conclusão que Sergio Moro foi parcial. Isso jamais seria dito no tempo do ciclo punitivo. Foram criadas as condições não apenas para apontar o ex juiz como suspeito, embora os feitos da Lava Jato estejam aí à vista no caso do bloqueio dos bens de Geraldo Alckmin. O erro da força tarefa, depois da farta exploração do Intercept Brasil, foi recuar, mostrar-se em clinch e esquecer, por longo tempo, dos ataques. Moro tem tudo ainda para sair-se bem, o que depende da continuidade dos processos como os dos cardeais tucanos de São Paulo.

No momento o procurador da República está  empenhado em desmontar a Lava Jato e para tanto se aproxima do grupo de Prerrogativas e até, isso mais discreto, do PT. Há um setor resiliente na PGR que não se dispõe a dar moleza para Augusto Aras e a esperança de maior clareza virá dessa arregimentação que tem também o claro propósito de apoiar Bolsonaro e suas investidas principalmente em tentar anular, se possível, o desafio do ex juiz quando apontou que o presidente queria interferir na PF.

Reforma meia boca

Embora tenha havido muito festerê com a reforma da previdência e ela está longe de encaminhar bem o problema, o fato é que não escaparemos nos casos da tributária e da administrativa do aparato ´´meia boca´´. Até agora o ministro da Economia, Paulo Guedes, não confirmou na prática as suas habilidades de Posto Ipiranga e sua suposta afinidade com as teses da Escola de Chicago. Mostrou-se atraído por saídas assistencialistas como essa do auxílio emergencial do qual não consegue se apartar e às vezes parece disposto a seguidas concessões. Não se pode deixar de reconhecer que é persistente, tantas as vezes que se perdeu defendendo contrafações da CPMF, valendo-se da taxação no campo digital. Desde o começo do governo Bolsonaro estamos na expectativa de um ´´estalo´´ de Paulo Guedes para indicar ao menos um rumo para o país e cuja tradução seja tranquila.

Brasil e contágio

Estudo [D1] da revista Nature Human Behaviour mostrou que a taxa de contágio no Brasil nos primeiros três meses da pandemia foi de 3, número ligeiramente maior do que os de países como França (2,5) e Itália (2,5). O fato é estamos em segundo lugar logo após os EUA, o que não impediu que Trump citasse o Brasil como péssimo exemplo comportamental na questão do enfrentamento da Covid-19.

Leão, como fica

Há a intenção no governo de reduzir a alíquota do Imposto de Renda de 27,5% para 23% a 25% e a queda seria compensada pelo fim das deduções médicas. Seria possível também, com o fim das deduções reduzir as demais alíquotas. Essas deduções representam o valor mais expressivo (R$ 15,1 bilhões ao ano) dentre gastos tributários do governo com saúde- quase um terço dos subsídios na área.                       

Falta grana

Na justificativa para a não retomada das aulas nas escolas municipais ficou demonstrado que o fator principal era a falta de dinheiro embora o argumento abrangente da pandemia tivesse lá a sua fundamentação. No meio da semana a Associação dos Municípios do Paraná em videoconferência com os presidentes            das associações regionais, por unanimidade, decidiu que as aulas não serão retomadas              e manterão o ensino remoto. O fato é que os municípios com a erosão orçamentária não teriam sequer verba para materiais de higiene e de saúde. Há queda de arrecadação complementada pela ausência de recursos emergenciais da União.

 [D1]

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