Lava Jato em questão

27 de julho de 2020 Off Por Luiz Geraldo Mazza
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Sinais de vitalidade da Lava Jato se dão no justo momento em que é atacada dentro do Judiciário e especialmente na Procuradoria Geral da República. Saiu agora a condenação de Sílvio Pereira, secretário do PT, enquanto havia o acirramento de investigações contra cardeais do tucanato como José Serra e Geraldo Alckmin. Para descompensar está para ser julgado no Conselho Nacional do Ministério Público uma das expressões fortes da força tarefa na figura do procurador Deltan Dallagnol. Terminado o recesso do Judiciário haverá condições para saber o que há ainda no colegiado do STF de força e densidade do fluxo punitivo que hoje tem mais adversários do que em qualquer das fases anteriores. O fato é que de acatada ela é hoje francamente atacada e quem aparenta em levar a melhor são os interessados, ao mesmo tempo, na corrupção e na impunidade. Se a devassa é válida para apurar distorções, como querem advogados criminalistas, o retorno da Lava Jato atende a uma exigência permanente e  da qual pouco nos ocupamos.   

Ambiguidade ecológica

A política ambientalista de Bolsonaro é para dizer o mínimo ambígua e contraditória, A frase do ministro do Meio Ambiente na reunião ministerial, hoje de domínio público, ouviu aquela estória de passar a boiada. E mesmo antes disso no conflito com Ongs internacionais que davam recursos para a Amazônia ficou patente o desencontro. A demissão de um cientista do Instituto de Pesquisas Espaciais no curso de denúncias que mostravam os níveis dos incêndios e desmatamentos que o governo tentava justificar levou a resistência de empresas internacionais e as brasileiras a uma ação conjunta ao vice presidente Hamilton Mourão na qual o governo teria respondido com três meses sem ocorrências.  Criou-se um clima no meio empresarial com força para equilibrar a questão e visível no apoio dos três maiores bancos privados do Brasil. Isso permitiu que se pudesse examinar sem temores o peso dos desmates e de incêndios com a nota técnica de 600 servidores do Ibama entregue ao presidente do Conselho da Amazônia e vice presidente da República na qual se acusa um aumento de 28% de devastação em apenas um ano.

O predatismo é de tal ordem que levou a corporação a riscos para emitir essa nota técnica que confirma aquilo que não é um palpite numa crise ideologizada e ratificada pelas imagens do abominado Instituto de Pesquisas Espaciais.

Acontecências

A despeito de tudo o que acontece no Brasil tivemos avanços em questões estruturais como a reforma da previdência, o marco do saneamento e agora o Fundeb. A previdência foi obra de políticos bem articulados e com participação especial do presidente da Câmara Federal Rodrigo Maia como de resto se deu também com a questão do saneamento (destaque para o seu relator senador Tasso Jereissati) e todas essas forças se juntaram no Fundeb. A matéria ainda precisa passar no Senado, mas se calcula que a inovação vai tirar 46% dos municípios do subfinanciamento da educação. O Fundeb configura hoje R$ 4 de cada R$ 10 investidos em educação básica. A complementação da União visa equalizar o esforço entre os entes. No panorama atual 80% dos recursos da educação básica saem dos estados e municípios.

Cresce a rede de UTI

Em função da pandemia e justamente para tentar contê-la os leitos de internação do Sistema Único de Saúde voltaram a crescer depois de 10 anos. Em função da emergência, o país abriu 23 mil novos leitos pela primeira vez desde 2011, O total agora passou de cerca de 294 mil a 317 mil. Entre janeiro de 2011 e janeiro de 2.020 41 mil deles haviam sido fechados.  

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