Rotina definida?

23 de julho de 2020 Off Por Luiz Geraldo Mazza
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Depois dos processos contra ex-candidatos presidenciais como José Serra e Geraldo Alckmin é visível um novo rush perturbador envolvendo o ex governador de Brasília, Agnelo Queiroz, em meio a uma torrente que parece não ter fim. As reações das pessoas visadas lembram a mesma linha de justificativas dos procedimentos da Lava Jato: as contas eleitorais foram aprovadas, jamais lidaram com propinas. Se as defesas têm os mesmos argumentos nota-se que as acusações também guardam semelhanças com os procedimentos de anos passados.

Dá a impressão que depois de um momento de perplexidade que se seguiu a desmontagem da Intercept Brasil e de sucessivas derrotas no Judiciário (a mais recente a que deu razão a Augusto Aras, Procurador da República, na resistência a partilhamento de informações) parece que a nova rotina é uma ofensiva permanente tanto de Curitiba quanto de São Paulo e Rio. Do caso de Aécio Neves não há referências, com o hoje deputado federal guardando uma espécie de silêncio obsequioso que se segue aos impactos iniciais.

Guerra tecnológica

Como se dava ao tempo da Guerra Fria, quando os soviéticos surpreenderam os americanos com o Sputinik e depois com o astronauta Gagarin, há uma visível disputa de tecnologias com as façanhas da chinesa Huawei (contra quem a França busca banimento do país do 5G e diante da qual os norteamericanos acusam de pirateamento) e agora sob o fundamento de proteger a propriedade intelectual e informações privadas dos americanos o Departamento de Estado fechou o consulado da China em Houston e há ameaça de retaliação.

E nessa confusão aparece um grupo de empresários dos EUA interessado em adquirir dos chineses a TikTak ao tempo em que esta adiantava projeto para empregar 10 mil americanos, o que indica elemento de valorização para o acerto. Na pandemia há em disputa a produção de vacinas, um front adequado para medir talentos, o da ciência. Já estão rolando as vacinas da China, com a qual o Butantan fez acordo no Brasil, e a da Pfizer e Biontech com a qual o governo dos EUA fechou acordo para pagar US$ 1,95 bilhão por futuras 100 milhões de doses e que pode chegar a 500 milhões.   

Saneamento

O IBGE, valendo-se de dados de três anos passados, mas ainda válidos, informou que menos da metade dos domicílios não têem acesso à rede de esgotos no país. São 34  milhões de casas o que representa 49% do total nacional. Para superar essas deficiências e de garantir 100% do suprimento de água espera-se que os marcos do saneamento recentemente aprovados e sob exame de inúmeros pontos vetados por Bolsonaro venham a resolver o problema. Há fé extrema na contribuição da iniciativa privada para superar os gargalos, daí a convicção de que o ideal , o que já foi cogitado, seria o governo abrir mão de alguns dos vetos.

Fundeb

O governo levou a pior na votação do Fundeb e tudo decorre da crise no PSL, esnobado pelo presidente, ainda que sua liderança na Câmara seja exercida pelo Major Vitor Hugo, e que foi derrotado. O presidente, sempre irritado com o PSL, embora até agora sem condições de montar o seu partido, estaria disposto a dar liderança ao centrão e quem sabe até a pasta da Saúde. Nessa conjuntura desponta o nome de Ricardo Barros que por sinal já foi ministro da Saúde e vice líder de governos petistas.

Positivo

O terceiro exame do presidente Jair Bolsonaro para Covid deu novamente positivo. A ansiedade não é pequena para o ativismo que compensa esse sentimento com as idas nos jardins do Alvorada para conversar com seus apoiadores no arriamento da bandeira e cuida das agendas oficiais por videoconferência e só se reúne pessoalmente com auxiliares que já foram contaminados. No mais segue em boa solução de saúde, acompanhado pela equipe médica da presidência.     

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