À espera do milagre

6 de julho de 2020 Off Por Luiz Geraldo Mazza
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Desde o começo do governo Bolsonaro convencionou-se que viria do Ministério da Economia, tantos os seus alardeados talentos, a virada espetacular da economia e com ela a vitória das forças liberais, pela primeira vez, na política brasileira. Passou o tempo, os murmúrios de Paulo Guedes ganhavam tempo, moratória que se concede aos gênios.

Agora, em entrevista à CNN, afirmou que dentro de 90 dias com quatro privatizações teremos finalmente a decolagem e que marcará o reencontro do Brasil com os investidores. Não deu a mínima ideia de quais seriam as empresas privatizáveis., embora sempre haja referência nesse objetivo à Eletrobras. Dos que ameaçaram implantar o liberalismo econômico, o que mais atuou nessa direção foi Collor de Mello com aquele escracho de chamar nossas montadoras de fabricantes de carroças. O fato é que concederemos mais três meses a Paulo Guedes para a consecução de objetivos até aqui adiados e com boi na linha como aquela proposta dos militares de buscar saídas no investimento público.

Equilíbrio

O problema permanente do Procurador Geral da República e sua corporação está na forma como o presidente o nomeou, sem observância mínima pela praxe ritualística de sua escolha nas listas tríplices. Consequentemente é olhado como alguém comprometido e sua categoria, lá atrás, que poderia mostrar estranheza na solução adotada, calou. Hoje percebe-se que as medidas contra bolsonaristas que ameaçavam a integridade de ministros do STF na pregação de ordem antidemocrática sinaliza uma postura de aproximação com o Judiciário tanto nessa questão, a das fake news como nas da aberta subversão.

Augusto Aras não é bem visto na categoria, mas está tentando avançar em centralização para minar os fundamentos de autonomia das forças-tarefa como as da Lava Jato. Vale-se do mau momento que ela atravessa por sucessivas perdas de espaço, agravados pelo clima de aberta retaliação desde que fizeram a carga via Intercept Brasil, transformando pecados veniais em mortais como se não estivéssemos diante da maior ação contra a corrupção e a impunidade em nossa história. Ficou visível essa deformação em favor da classe política e dos seus hábitos endêmicos. Ganha relevo aí a interpretação extensiva que o próprio STF adotou no caso das ameaças a seus integrantes com a estranha iniciativa adotada de montar processos em cima de artigos do regimento interno. Aí a postura de Augusto Aras permite o remendo que já revelou extrema utilidade  botando bolsonaristas 49 dias na cadeia e levando a fauna a temer outras medidas de retaliação.

´´Rachadinha´´

Claro que a ´´rachadinha´´ em investigação é a do senador Flávio Bolsonaro quando deputado estadual no Rio de Janeiro, hoje beneficiário de uma interpretação do Orgão Especial do TJ oposta à jurisprudência do STF e que tirou a pendência da primeira instância. Mas agora a oposição fala em suposta ´´rachadinha´´ no gabinete do presidente Bolsonaro no vaivém de servidores e para tanto está acionando o Ministério Público Federal.  

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