Delação negociada

27 de junho de 2020 Off Por Luiz Geraldo Mazza
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Fabrício Queiroz iniciou negociações de delação premiada com o Ministério Público. A euforia do dia anterior quando Flavio Bolsonaro conseguiu uma vitória na justiça do Rio ao transferir o seu caso, o das ´´rachadinhas´´, da primeira instância para o segundo grau foi fartamente descompensada com essa informação. A semana não foi boa para o presidente e os seus familiares desde a prisão de Fabrício Queiroz.

Essa perspectiva , a da delação, sempre esteve no horizonte, embora a dificuldade de atender o pedido de Queiroz que exige a proteção à sua família, a esposa, que está foragida, e as duas filhas. Essa negociação se funda no compromisso da proteção, todavia fica difícil dar segurança à mulher na condição de foragida. As ligações com milícias dão uma ideia das dimensões do problema e dos riscos que o próprio Queiroz corre mesmo na prisão. Um relato sobre sua atuação como operador da ´´rachadinha´´ seria suficiente em termos processuais para liquidar a questão, mas se tiver a amplitude que se imagina em referência à anatomia das vinculações políticas e negociais aí transferiria para os outros o flagelo do cometa a enterrar-se.

Tudo funciona

A despeito da toxina, os poderes funcionam e tanto que até a hipótese de um armistício é mantida no encontro formal entre Bolsonaro e os chefes dos poderes Judiciário e do Legislativo. A representação da Procuradoria da República contra o Gabinete da Segurança Institucional e também nos casos das fake news e na ação contra atos antidemocráticos acentua que a autonomia de Augusto Aras não está prejudicada. A desobediência ao ritual da escolha pelas listas tríplices não impede, portanto, o funcionamento da PGR, ainda que no Conselho do Ministério Público tenham sido escolhidos procuradores não alinhados ao chefe. o que revela resistência corporativa interna. A mecânica institucional opera normalmente, posto que se reconheça o generalizado clima de desconfiança.  Reconheçamos que nunca foram testadas as instituições com tanto rigor e agudeza e isso é o mais importante de tudo, apesar da impressão que bravatas e frases soltas dão de que já estamos sob um terremoto.

A boiada passou

O noticiário internacional sobre as queimadas na Amazônia segue intenso e com seguidas declarações de Ongs que se de um lado favorecem os ambientalistas de outro estimulam a pregação do novo colonialismo, restabelecendo o cenário alegado pelos bolsonaristas da intangibilidade amazônica e o argumento do ministro do Meio Ambiente de que a boiada está passando.

Amnésia

Quando tomou posse Ratinho Júnior enunciou a tese de que o Paraná teria função logística na América Latina com aquela tese bioceânica Paranaguá-Antofogasta. Essa proposição constou da campanha de José Carlos Martinez e depois foi retomada por Jaime Lerner. Projetos dessa dimensão não aparecem com constância em nossa história, mas dá para perceber que à proporção que nos envolvemos no cotidiano essa linha de pensamento volta, distanciada, para o campo da utopia. Sair do flagelo da pandemia não é fácil, mesmo que haja uma convocação para pensa no pós Covid -19.

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