A mancha se alastra

26 de junho de 2020 Off Por Luiz Geraldo Mazza
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Dos 4,2 milhões de brasileiros que apresentavam sintomas da Covid-19 em maio, 70% eram de cor preta ou parda. Esse segmento abrange 54,8% da representação demográfica, o que afinal revela como o peso dessa condição é aumentado na pandemia. Outro tipo de flagelado social, o morador de rua, também ganha expressão estatística, com 28 deles morrendo em São Paulo em função da doença. Há na cidade 24.344 moradores de rua, desse total 12.651 vivem em situação de rua, os demais em abrigos.

Dentre os 19 milhões de brasileiros afastados do trabalho, 9,7 milhões ficaram sem remuneração. Dos trabalhadores brancos 16,1% foram afastados e entre pretos e pardos o afastamento foi de 20.8%. Tornar essa pirâmide menos desigual poderia ser meta da luta pós pandemia. Por enquanto a mancha da desigualdade se alastra.

Debandada

O PSL, hoje abandonado por Bolsonaro, pode afastar-se em massa do governo, segundo observadores. Ocorre que a agremiação ficou acéfala com a saída do presidente e com a intenção de criar o seu Aliança pelo Brasil. Há um setor ortodoxamente bolsonarista, uma espécie de direita sem raiva, como também uma ala empenhada na preservação da sigla.

O novo ministro

Carlos Alberto Decotelli é o novo ministro da Educação. Professor da Fundação Getúlio Vargas e de outras universidades, esteve no comando da Fundação para o Desenvolvimento da Educação e foi escolhido em função de suas habilidades operacionais como gestor. Sugere que o Ministério deve ser como uma sala de aula com todos os seus embates. Aposta no diálogo.

Carências

Calcula-se para o nordeste uma perda de R$ 1 bilhão com a supressão das festas juninas e o maior evento da Amazônia, o Festival Folclórico de Parintins, que leva 60 mil turistas à ilha do Baixo Amazonas no último fim de semana de junho. O Bumbódromo ficará vazio sem as 17 mil pessoas durante três noites seguidas assistindo o racha dos bumbás Caprichoso e Garantido.

Saturação

Nada menos de nove estados têm mais de 80%  das UTIs ocupadas. Minas (2.901 leitos) tem 91% de ocupação, Roraima (41) 88%, Mato Grosso (240) 87%, Rio Grande do Norte (213) 84%, Pernambuco (745) 83%, Espírito Santo (662) 82%, Maranhão (416) 82%, Ceará (711) 81%, Acre (48) 81%. O Paraná com 786 leitos de UTI para adultos tem uma taxa de ocupação de 59%. No começo da pandemia o Paraná era citado como exemplar em sua articulação com o Ministério. Atualmente está numa posição crítica sob o risco de ter que apelar ao lockdown em pontos mais críticos como a Capital.

Saneamento

Saiu, enfim, o novo marco do saneamento com a aprovação da matéria no Senado (65 votos a 13). Pelo acúmulo das experiências a predominância de sua exploração pelo governo (ponto alto no regime militar com o Planasa atribuindo maior força às empresas estatais de economia mista) por não ter alcançado metas razoáveis aposta agora na exploração privada. Pretende-se a universalização dos serviços e 12 anos a um custo de R$ 700 bilhões. Algumas das estatais de porte como a Cedae do Rio de Janeiro teve sua venda cogitada para enfrentamento da situação fiscal. No Paraná houve algumas explorações pela iniciativa privada como no litoral em Paranaguá pelo empresário Joel Malucelli.

Bolsonaro

O senador Flavio Bolsonaro conseguiu o que pretendia: ser julgado pelo Órgão Especial do TJ do Rio de Janeiro, saindo da primeira instância no caso das ´´rachadinhas´´. A investigação prossegue na instância superior.

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