Pacificação difícil

18 de junho de 2020 Off Por Luiz Geraldo Mazza
Compartilhe:

Na posse do ministro das Comunicações e na apresentação do Plano Safra houve um esforço pela pacificação, mas o jogo está pesado: o sigilo bancário de 10 deputados e um senador aliados de Bolsonaro foram quebrados depois de ruidosos mandados de busca e apreensão num processo que apura ações antidemocráticas. A militante Sara Winter, do grupo dos 300, foi presa e transferida para a penitenciária feminina. Há um desequilíbrio entre pacificação e ações judiciais, enquanto no STF há número para a continuidade das ações contra fake news.

Como se não bastasse, há ainda a questão Weintraub, apontada como indispensável a sua saída do Ministério, sem o que não haveria hipótese conciliatória com o Judiciário, e que é uma das expressões da linha ideológica e olavista. O ataque com fogos de artifício ao STF reforçou a intimidação anterior das ameaças aos ministros e familiares pela internet, ainda  que o procedimento adotado por Dias Toffoli e Alexandre Moraes seja discutível baseado numa interpretação extensiva do Regimento Interno da Corte.

Paulo Guedes, num evento, disse que embates entre Poderes são o ruído de uma democracia vibrante. Adiantou ainda ver um futuro brilhante até porque é impossível piorar. É tempo de metáforas e frasismo como aquela afirmação de Bolsonaro sobre as ações do STF contra seus aliados :´´ eles estão abusando´´.

Desemprego oculto

Nada menos que 17,7 milhões de desempregados foram escondidos em maio peça pandemia, conforme pesquisa do IBGE. Esse contingente de ´´desemprego oculto´´ era de 19 milhões na primeira semana do mês. São pessoas fora da força de trabalho que não estão buscando emprego, daí não figurarem nas estatísticas de desocupação. Há, resumindo, 26 milhões que não procura emprego na crise sanitária, mas querem trabalhar. Enfim embora não haja solução à vista para o problema percebe-se uma sofisticação nas pesquisas. Lembra uma frase da matriarca da família para quando, no almoço, não havia sobremesa, ausência compensada por uma definição conceitual ´´a sobremesa é o derradeiro bom bocado´´.

Caça às bruxas

Não espanta que a força da pandemia não seja suficiente para evitar que picaretas se valham da situação para superfaturamento e desvios de equipamentos e insumos. Temos o exemplo maior do Rio com o processo de impeachment do governador WitzeL e prisão de secretários, tudo fruto de desvios. Há ações no Brasil inteiro de situações análogas comandadas pela Polícia Federal e também a irresponsabilidade de empresas que não fazem as entregas. Isso se deu em São Paulo que pagou R$ 242 milhões por 1.280 unidades, mas só recebeu 433. Claro que o Ministério Público e Tribunal de Contas estão em cima do assunto. No caso de São Paulo o governador João Doria cancelou a compra.

Afrochou, vem a crise

De repente há o alarme de que sistema pode entrar e colapso e segue-se à apelação ao remédio extremo do lockdown, por sinal ameaçando Curitiba que anuncia esgotamento de leitos de UTI em duas semanas. Ornamentando os informes o acúmulo de 2.375 casos e 89 mortes. O problema é que a pressão do comércio para manter-se é muito grande. No Paraná outra sinistrose: o sistema entra em colapso num mês. Ratinho Júnior acertou com prefeitos da Região Metropolitana um protocolo relativamente à pandemia e em Curitiba foram fixadas novas restrições comerciais e mais rigor na questão das concentrações.

Compartilhe: