Lava Jato, 2ª edição

11 de junho de 2020 Off Por Luiz Geraldo Mazza
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Negociações em torno da compra de respiradores pelos governos estaduais, marcadas por irregularidades, fazem parte da investigação no setor de saúde de pelo menos 9 estados pela PF. Fatos mais avançados são os do Rio de Janeiro, que atinge o governador Wilson Witzel e a primeira dama e do Pará que alcança o governador Helder Barbalho, ambos autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça. Pelo jeito uma nova Lava Jato em cima dos efeitos políticos da pandemia.  

Porre ideológico

Quase todos os dias temos uma ação do governo federal de cunho ideológico como a nomeação de reitores das universidades federais na crise sanitária pelo ministro da Educação em aberta desobediência aos rituais das listas tríplices. Como a pandemia e as regras de distanciamento desmobilizam sindicatos e associações, uma provocação de primeira ordem como aquela outra que fixava direitos e compensações a vítimas do regime militar revogados pelo governo. É parte de um jogo sinuoso para dissolver os consensos acumulados ao longo do tempo na consolidação do regime da Constituição de 1988. O presidente Jair Bolsonaro expressa o dissenso como o ato de colocar na Fundação Palmares um presidente que se opõe as teses mais comuns da negritude.

Impeachment

Por 69 votos a zero, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro abriu o processo de impeachment do governador Wilson Witzel por várias denúncias entre as quais aquela tomada pelo STJ que o atinge e à primeira dama e redundou em rumorosa operação de busca e apreensão em seus domicílios. O ritual começa com o afastamento do governador e segue-se o processo sob o comando do Poder Judiciário. O governador sugere que em sua defesa provará que sempre lutou contra a corrupção. Como se não bastasse toda a complicação ainda tem contra si a desaprovação de suas contas.

Surpresa no TSE

Esperava-se como certo que o processo da cassação da chapa presidencial fosse arquivado, mas o ministro Alexandre Moraes pleiteou e foi concedido o adiamento. Há mais seis processos com o mesmo objetivo. Consequência imediata o desconforto do Planalto. E no STF houve a primeira análise do processo das fake news que terá sua continuidade na próxima semana, na sequência do voto do ministro Edson Fachin com a fundamentação a seu favor.  

Recorde paulista

Com dois dias com recorde de óbitos (ontem de 340) São Paulo se obriga a restabelecer rigor da quarentena em municípios como Ribeirão Preto e Presidente Prudente no rigor do esquema de zoneamento. Parece inevitável que baixar a guarda na abertura da economia há quase sempre o aumento dos registros de casos novos e de mortes, restabelecendo-se um ciclo vícioso revelador da falta de coordenação melhor ajustada. Na Grande São Paulo, litoral e Vale do Ribeira houve avanço da flexibilização e abertura das lojas.

No Paraná, no mais acirrado dia da pandemia, houve registro de 22 mortos e 519 novos casos. Total é de 7.800 contaminados e 278 óbitos.

Deflação de novo

O Brasil teve deflação de 0,38% em maio, resultado mais baixo desde 1980 quando a inflação passou a ser apurada pelo IBGE. Baixa nos preços dos alimentos e recuo nos combustíveis em função da pandemia. O índice, nos doze meses, foi de 1,88% bem abaixo do piso da meta de 4%. Um dos principais fatores sobre o IPCA a gasolina caiu 4.35% em maio.

Redução salarial

O Senado adiou a votação da Medida  Provisória de redução dos salários, uma das emergências no andamento da crise.  Esperada para o dia 10 acabou adiada e isso se deu e meio a pesadas críticas ao poder concedido ao ministro Abraham Weintraub, da Educação, para nomear reitores sem audiência da corporação pelas listas tríplices. Divergências em cima do tema determinaram o adiamento.

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