No Rio um repeteco

10 de junho de 2020 Off Por Luiz Geraldo Mazza
Compartilhe:

Governantes do Rio seguem um ritual: ou acabam presos ou perdem mandatos. Isso se deu com Garotinho, Sergio Cabral, Pezão e pode repetir-se com Witzel no processo de impeachment que responderá com escassa base de apoio no legislativo e maioria indiferente, dada a imensa fragmentação partidária com assento no legislativo. O pior é que o Rio acumula a pior situação fiscal de todas as unidades federativas, junto a tanta incompetência e corrupção.

Wilson Witzel se elegeu na onda bolsonarista e desde o início do mandato mostrou-se truculento como quando sugeriu que poderia atirar na ´´cabecinha´´ dos traficantes que costumam exibir-se armados. Rompeu com Bolsonaro e ultimamente decidiu não mais atacá-lo. Uma sinalização negativa foi a desaprovação do seu balanço no Tribunal de Contas isso sem falar nos processos de busca e apreensão de que foi alvo nos quais é acusado de corrupção. Soa como desespero a série de exonerações de secretários.

São Paulo em bloqueio

Enquanto no Rio há possibilidade de emplacar um impeachment, em São Paulo a base de João   Doria é consistente para reagir a iniciativas do gênero. O protagonismo que exerce na luta à Covid-19 é uma prova de que faz disso campanha presidencial contra Bolsonaro com quem surfou na eleição de governador. O julgamento de sua atuação na pandemia será elemento chave na sua postulação de oposicionista.

Ação social

O Bolsa Família muda de conceito e de nome com Paulo Guedes, ministro da Economia, assim que passar a crise sanitária, com a designação de Renda Brasil e incorporando os informais na compensação com o fim do auxílio emergencial que cumprirá as novas etapas. Um programa maiúsculo de transferência de renda como o pregado pelo petista Suplicy, bem mais abrangente. Essa aposta nos programas sociais é algo que mexe no fundo da linha dura do liberalismo. Para se ter uma ideia do programa basta considerar que em maio eram 12,28 milhões as famílias alcançadas pelo Bolsa Família e havia na fila de espera pra ingressar no programa mais 433 mil famílias.

Essa fila chegou a um milhão de famílias em dezembro do ano passado e no primeiro trimestre de 2020 a 1,6 milhão. Esse auxílio emergencial dos R$ 600 parece ter levado o ministro da linha da escola de Chicago a reavaliações sobre o peso das ações essencialmente sociais.

Guru aflito

O filósofo Olavo de Carvalho, irritado, criticou pesadamente o presidente Bolsonaro e prometeu derrubar o seu governo e empresários apoiadores afirmaram que não vão dar grana para o guru que perdeu um ação de R$ 2,8 milhões para Caetano Veloso a quem acusara da prática de pedofilia. Estava tão bronqueado que chamou  Luciano Hang, dono da Havan, de palhaço e de vestir-se de Zé Carioca com o terno verde.

Dubiedade

O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, cobrou trégua entre poderes e criticou a dubiedade do presidente da República sobre democracia que surpreende não só a sociedade brasileira como também a comunidade mundial. Elegância torna críticas, ainda que duras, bem mais palatáveis.  

Compartilhe: