Fagulha na pradaria

1 de junho de 2020 Off Por Luiz Geraldo Mazza
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Mao Tse Tung tinha saques geniais para comparações como a ideogramática ´´fagulha na pradaria´´ que poderia aplicar-se a uma semana de protestos em 75 cidades americanas contra o racismo e o assassinato de George Floyd seguida, inevitavelmente, de repressão violenta, depredação de bens públicos, saques, incêndios. No Brasil teme-se justamente a violência contida que pode aflorar a qualquer momento. Em frente ao STF um grupo bolsonarista armado de extrema direita fez protesto no domingo. Sinais de convergência para o diálogo são precaríssimos e entramos no ciclo dos manifestos, um deles tentando a síntese ideológica das Diretas Já agora contra o autoritarismo .

Analogias

Primeiro foi o secretário de Cultura e mais recentemente o ministro da Educação fazerem analogias com o nazismo, o que rendeu bronca enorme dos judeus até internacionalmente. Agora o ministro Celso de Mello, do STF, vê semelhança entre o presidente e seus seguidores e a Alemanha de Hitler. Na hora em que se precisa de bombeiros sobram incendiários.

140% mais mortes

Uma tabulação do ministério da Saúde sugere que até abril o Brasil teve 9.420 mortes a mais do que o total divulgado à época sobre a Covid-19. Sepultamentos em São Paulo aumentam desde janeiro e cresceram 50% em abril relativamente a 2019, No Paraná 23% dos contaminados (1.102) é da faixa etária até 29 anos. Média de casos é de 42 anos e de óbitos de 67. Na faixa de 0 a 9 anos há 128 infectados. Um dado importante é que 80% dos casos são de leves a moderados.

Regras do jogo

Num clima como o atual brasileiro é inútil lembrar aos autoritários que as regras do jogo da democracia são indispensáveis para que se obtenha um mínimo de harmonia. Ocorre que a ruptura ensaiada não é de um só lado e a atmosfera de desconfiança vê em tudo um sinal de conspiração. O pior é que não se enxerga uma liderança capaz de obter avanços no sentido da harmonia, palavra essa que ganha a semântica da guerra de quem a pronuncia. Inútil o apelo ao fato de que vivemos situações parecidas com Jânio Quadros, Collor e, lá atrás, com o suicídio de Getúlio Vargas que apresentavam maior carga de fúria e descontrole.

Partidos

É no meio da crise que se vê a dispersão da base partidária e a evidência de que só se prestam para negociações como o emblemático centrão que pelo menos tem a vantagem de definir-se como aberto a negociações que não dizem respeito a doutrinas, mas visto como indispensável para acertos e o sentido mais pragmático da decantada governabilidade. A atomização do PSL que elegeu Bolsonaro é uma dessas evidencias com boa parte dos seus quadros já encastelada oposição.

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