Pior em 30 anos

20 de maio de 2020 Off Por Luiz Geraldo Mazza
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A medida do desenvolvimento econômico e social expressa no IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, será, conforme as previsões, a pior nos últimos 30 anos como consequência direta da pandemia. O cruzamento de dados econômicos (renda) aos sociais (escolaridade, expectativa de vida) estão na síntese desse referencial. Evita-se ai a dicotomia entre o econômico e o social na definição de um padrão de vida e referencial relevante para apurar níveis de desenvolvimento, hoje indispensável no planejamento. Em 1963, governo Ney Braga, a Sagmacs (Sociedade de Análise Gráfica e Mecanográfica dos Complexos Sociais), instituição que seguia o solidarismo do padre Lebret, fez um diagnóstico e em seguida indicou a terapia para os nossos males. O espírito do IDH estava aí em embrião, inclusive na formação do secretariado do governo: havia dois comitês, um de desenvolvimento econômico, e outro de desenvolvimento social, agregando as pastas da administração. No social estavam saúde, educação, cultura, assistência e no econômico Fazenda, Badep, Banestado. Tratava-se de um Plano Trienal e uma de suas propostas na educação seria incompatível com o golpe de 1964 ao prever o uso massivo do método de alfabetização de Paulo Freire.

Questão permanente

Nossa história carece de imaginação quando enfocada no nível municipal e no tedioso  conflito em cima do sistema de transporte coletivo nas eleições. Parece que nos defrontaremos outra vez em função do socorro prefeitural configurado num repasse financeiro às empresas em função do impacto da quarentena nos seus serviços. É visível e histórica a proteção ao oligopólio que explora o serviço e estabeleceu-se uma relação pactual que mudou apenas na forma em termos de eficiência operacional e que apesar do decantado modelo, projetado às vezes até como um dos melhores do mundo, perde milhões de usuários a cada ano em função de uma tarifa fora das condições da clientela, posto que amenizada com a massificação do vale-transporte, invenção do paranaense Affonso Camargo quando ministro dos Transportes. Em 2013 tivemos uma rebelião nacional centrada numa reação a um singelo aumento de tarifa que criou um divisor de águas na política brasileira com a tese da passagem zerada.

E teremos -é claro, se houver eleição- o repeteco de sempre contra o sistema que esteve para incluir em anos recentes o metrô, uma inviabilidade tão visível que no planejamento os argutos empresários esqueceram de reservar uma área, que enguleria a metade de Curitiba, para o material escavado.

O tom fanático

Faltou a Regina Duarte o tom provocativo, primário, exigido pela área ideológica, configurada nos ministros das Relações Exteriores e da Educação, para combater o consenso da área que tem raízes anti-intelectuais e que no caso brasileiro é um dos padrões de suas esquerdas em nichos acadêmicos e da produção cultural. Indispensável aí caricaturar a lei Rouanet e apontar artistas mamando nas tetas oficiais. O maniqueísmo tomou conta do pedaço e essa área é uma das mais sensíveis e sujeita a primarismos como o do bufão que parodiou Goebbels para dar tom épico a um pronunciamento e foi devidamente desmistificado.

Covid-19 na frente

Com o registro de 1.179 mortes em 24 horas, a Covid-19 é hoje no Brasil a maior causa de mortalidade. Sai à frente de doenças cardiovasculares 980, câncer 624, doenças respiratórias 435, causas externas (homicídio, trânsito, suicídio e acidentes) 412. No geral são 17.971 óbitos pelo coronavírus e 271.628 casos confirmados. Segue a disputa ideológica entre afastamento e retomada da economia, assumindo a camisa da direita e da esquerda, o governo com ministro interino e ainda por cima impondo o uso da cloroquina e o governador de São Paulo em aposta na antecipação de feriados para manter distanciamento.   

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