Parto federativo

13 de maio de 2020 Off Por Luiz Geraldo Mazza
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Com o presidente legislando e classificando atividades essenciais – e nelas incluindo academias e salões de beleza e até barbearias- há desafio aberto à decisão do STF que atribui a estados e municípios as ações regulamentares no enfrentamento da pandemia. E tanto estados como municípios estão declarando que não aceitam a intervenção indevida. Tudo isso, quando se fala em pacto federativo, dá a impressão que estamos à espera de um parto federativo, que venha a emergir do conflito atual quando pensávamos que a Carta de 1988 já tinha resolvido a situação.  

Pelo menos a máscara

Até outro dia, Bolsonaro rompia todos os protocolos sanitários provocando encontros à frente do Palácio, conversando, apertando mãos, abraçando seguidores. Agora ao menos está usando máscara para ajustar-se a um mínimo comportamental diante da crise. E o que ele fala, a cada momento, é a pregação do retorno à normalidade no comércio e indústria, o que conflita com as cautelas que o mudo civilizado adota para a tal flexibilização. Vai manter essa postura o tempo todo e já anuncia outra polêmica: um projeto ´´federal´´ de ideologia de gênero. Ele dá ênfase ao federal até porque algumas estaduais e municipais goraram na justiça.  

CUT & Cufa

 Condenada à inação porque mal metabolizou o fim do Imposto Sindical e ainda por cima perdeu força não apenas com a reforma trabalhista de Michel Temer como também com os efeitos da Lava Jato, entre eles o comprometimento nos desvios de fundos de pensão, a CUT, Central Única dos Trabalhadores, anda, como as demais centrais, meio amuada, conquanto o momento político esteja impondo a sua participação. No meio da confusão vivida, em cima de ações sociais, uma outra Central Única está se revelando- a CUFA, a das favelas, que é elemento de organização das cooperativas de catadores.

Cortes a valer

Vários projetos, de iniciativa do governo ou de sua base, estão cortando cargos abrangendo diversas pastas inclusive a casamata da Educação sempre protegida pela APP-sindicato reduzindo seus quadros e substituindo-os por terceirizadas. Quando seus titulares se aposentarem os cargos deixarão de existir, mas a nova contingência deixa sob ameaça 10 mil do chamado quadro provisório. Agora houve corte de cargos comissionados nas sete universidades estaduais e hospitais universitários que economizará R$ 16,5 milhões anuais. Alinhada na mesma onda de baixar custos operacionais, Rafael Greca, prefeito da Capital, extinguiu 32 cargos com 2,5 mil vagas. Isso faz lembrar a figura de Manoel Ribas que de tanto cortar cargos e funções levou o apelido de Maneco Facão. Infelizmente os de hoje não tem  seu humor como na incerta na Lapa em que não encontrou em seus postos o delegado de polícia, o da educação e o da saúde chiou em voz alta: ´´Lapa, berço de heróis, terra de vagabundos´´.

Crença no retorno normal

A  aquisição pelo grupo supermercadista Festval de todas as lojas do Pão de Açúcar de Curitiba  é antes de tudo crença de que lá na frente haverá, como sempre, espaço para todos. No meio da tragédia há sinais positivo como os recordes nas exportações de grãos nos portos, públicos e privados, de Paranaguá e retomada, ainda discreta, da venda de veículos.

Duvídeo

Trocadilho não está mais na moda mas o jogo de empurra sobre o tal vídeo da reunião ministerial que Sergio Moro quer vê-lo na íntegra e o governo e a Advocacia Geral da União, apoiada pela Procuradoria da República, a desejam vista parcialmente deu margem ao gracejo de um descrente que disse duvidar do anseio de oposição com enfático ´´duvídeo´´. Já não se produz trocadilhos como os de Emílio de Menezes que um dia importunado por uma tiete que insistia em querer sentar ao seu lado no teatro mostrou-lhe três poltronas vagas dizendo ´´atriz atroz atrás há três´´.

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