Dias tensos

11 de maio de 2020 Off Por Luiz Geraldo Mazza
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Entramos em semana-chave para clarear o embate entre Bolsonaro e Sergio Moro, marcado por pouca substância e muito nhe-nhe-nhem. Se o vídeo da reunião ministerial vier desidratado, como pretende a Advocacia Geral da União, aí quem esperneará será Sergio Moro ao entender insuficiente a parte em que Bolsonaro tromba com ele. Valeixo disse o óbvio de sua demissão por telefone e alvo daquela peça irregular em que se declarava que ele o fazia a pedido ampliada pela assinatura do ministro que não houve e obrigou o presidente a refazer o decreto. O Alexandre Ramagem foi ouvido e amanhã há o depoimento dos ministros que estavam na tal reunião e deve haver o acesso do presidente, de Moro e da Procuradoria da República à gravação. Em baixo do pano negociação dura pela reprodução parcial ou total do vídeo. Tentar fazer disso algo mais relevante que a pandemia é loucura.  

Gastos

A despeito da alegada austeridade, gasta-se muito mais nesse governo do que nos anteriores de Michel Temer e Dilma Rousseff no cartão da Presidência. Gasto médio de Bolsonaro ao mês é de R$ 709,6 mil, 60% maior do que Temer e 3% mais do que Dilma. Bolsonaro argumenta que houve dispêndios com quatro aviões à China na busca dos brasileiros. Pegar no pé do presidente é a gincana da moda e nem sempre as duas partes se dão bem. Exemplo de provocação é o caso da frase ´´o trabalho liberta´´ em propaganda do governo que opositores lembraram slogan assemelhado à inscrição nazista à entrada do campo de concentração de Auschwitz. A resposta veio irada pelo titular da Secom, Fábio Wajngarten, que é judeu, tratou do caso como ilação canalha. Ocorre que o governo usou antes metáforas nazistas como a de que a doutrina nacional socialista seria de esquerda, o que provocou reações até internacionais, depois houve aquela do chanceler ao comparar o isolamento sanitário a campos de concentração e em seguida a do secretário de Cultura, Roberto Alvim, ao parafrasear Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, o que o levou à demissão. Não se pode negar que quem começou com as analogias foi o time do governo. Sobre o esquerdismo em meio à fúria ideológica poderiam cunhar a comparação entre  PT e o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães pelo menos em relação à classe obreira.     

Sem óbitos

Curitiba e Londrina comemoram nesses dias 48 horas sem novos casos de Covid-19 e isso num momento que o país superava 11 mil mortos. Testagem da doença no segundo polo urbano do estado começa esta semana com o laboratório da Universidade Estadual de Londrina fazendo a análise dos exames, necessidade de descentralização com outras universidades com o fim de desafogar a carga do Laboratório em Curitiba.

Intervenção

A maior intervenção de  Bolsonaro até agora, como tenho dito , foi no Ministério Público no caso da nomeação de Augusto Aras que torna a relativa à Polícia Federal, até por não tê-la obtido, insignificante. O que se viu no caso foi a omissão da resistência corporativa na exigência da lista tríplice, o que não significa que a categoria a tenha ratificado. Especula-se agora que tanto o ministro da Justiça atual como o Procurador Geral da Justiça são aspirantes  a vagas no STF. Aras, até aqui, tem estado alinhadíssimo. Hoje não haveria clima de Lava Jato e tanto que os policiais a ela vinculados foram recentemente exonerados. Pelo jeito o lavajatismo saiu de moda, embora alimentasse fortemente as legiões bolsonaristas.

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