No dia 17 de novembro de 1998 Luiz Geraldo Mazza é empossado na Academia Paranaense de Letras. A conquista foi amplamente comemorada pela imprensa local que homenageou o novo ocupante da cadeira 20 da Academia com matérias e páginas especiais.

23 de outubro de 2019 Off Por Redação
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No dia 17 de novembro de 1998 Luiz Geraldo Mazza é empossado na Academia Paranaense de Letras. A conquista foi amplamente comemorada pela imprensa local que homenageou o novo ocupante da cadeira 20 da Academia com matérias e páginas especiais. O jornal Folha de Londrina/Folha do Paraná publicou, no dia da posse de Mazza, a matéria Mazza na Academia, assinada por Zeca Correa Leite e uma página-homenagem. Osmann de Oliveira, do Centro de Letras do Paraná, publica Mazza na Academia, quem diria?, na Gazeta do Povo e o Correio Paranaguense, periódico da cidade natal do jornalista, antecipa as homenagens em matéria que define Mazza como sendo “o porta-voz dos paranaenses”. (pesquisa de Selma Suely Teixeira para o livro Luiz Geraldo Mazza e Eloi Zanetti comunicadores do Paraná, de sua autoria)

Ele chega sempre irrequieto, senta, analisa, reflete, telefona e escreve. Redige, diariamente, sua coluna e seus textos com a precisão de análise que só ele tem.
Com ar de desconfiado, dá uma olhada de canto para o computador, sente saudades da boa e velha máquina de escrever, resiste, mas usa o “bicho”.
Na tela, textos e frases que encantam nossos leitores a cada dia.
Ele conversa com a voz meio rouca, traduzindo interpretações sobre a política, os costumes, os fatos.
Apreciador de boa poesia, escreve com a maestria de quem sabe que as palavras sentem.
Ele é polêmico, atuante, determinado.
Coxa-branca roxo, cronista, uma doce alma, um guerreiro.
Mas, antes de tudo, ele é nosso amigo, companheiro, orientador, observador.
Em sua coluna vemos de tudo, da crítica ao “cromo” selecionado.
O amor pela pesca, a paixão pela cidade, o cuidado com as pessoas, a crítica impecável.
Este é o Mazza.
Este é o nosso Luiz Geraldo Mazza.
O homem que hoje assume a cadeira número 20 da Academia Paranaense de Letras.
Bom para a cultura do Paraná.
Bom para todos nós que poder ler, conhecer e conviver com o Mazza.
Parabéns, acadêmico.
Parabéns, amigo Mazza.
Temos uma história para contar nos nossos 50 anos e o Mazza faz parte dela.
Daqui, o abraço dos amigos da
Folha de Londrina/Folha do Paraná.
(Folha de Londrina, 17 de novembro de 1998)

Mazza na academia, quem diria?
Osmann de Oliveira
Luiz Geraldo Mazza entrou para a Academia de Letras. Não consigo imaginá-lo dentro de um fardão todo cheio de bordados. Vejo-o na Avenida João Pessoa, antes do Anfrísio Siqueira fundar a “Boca Maldita”, no centro de uma “rodinha” de rapazes, aí por volta de 1953, discutindo, ironizando, criticando e desancando, com Dalton Trevisan, Samuel Guimarães da Costa (cuja cadeira irá ocupar), todos os velhos poetas e escritores que se acotovelavam em velhos sodalícios com a intenção clara e inequívoca de perpetuarem os seus nomes.
Ninguém escapava.
Gozador, Mazza não perdia a oportunidade para triturar aqueles que ofendiam o decoro das artes através da produção de “obras” pouco fecundas.
Como diria Agripino Grieco, se o conhecesse naquela época, seria a sua cabeça por certo, “um ninho de vespas feito verbo”.
Mazza fazia da sátira o seu melhor instrumento de crítica e de mordacidade.
Tinha, no entanto, no peito, para usar uma frase feita, um coração de poeta.
Como todos os jovens postava-se também, diante da antiga “Sloper”, ali pelas cinco horas da tarde, que era quando as mocinhas saíam da antiga “Escola Normal”, ou da “Divina Providência” e desciam pela Rua 15 de Novembro, vestidas de azul e branco, “trazendo um sorriso lindo, no rostinho encantador”, como entoava Nelson Gonçalves. Ali, onde hoje é o Teatro Guaíra, existia um circo ou parque a que um velho professor chamava de mafuá e, na melhor das hipóteses, a gurizada, às vezes, ia até lá.
E o Mazza integrava essa plêiade de sonhadores. Certa feita, depois de um comício e quando cavalariços da Polícia Militar procuravam dissolver a multidão, jogou, juntamente com outros tantos e entre os quais eu me incluía, sacos de rolhas de cortiça no asfalto só para ver os animais caírem. No final da arruaça os milicianos foram embora, alguns feridos e outros encolerizados.
O tempo, entretanto, desfaz muitas coisas e constrói outras. Como as árvores frutíferas, o homem amadurece passando a construir exemplos e a moldar novas razões de viver.
Sem perder aquela verve da mocidade, sofrido pelas injustiças políticas, com alto sendo de responsabilidade, Luiz Geraldo Mazza passou a ser visto com admiração e respeito e, assim, disputou uma vaga na Academia Paranaense de Letras e logrou obter êxito. Agora será imortalizado pelo que possui de melhor – a inteligência.
Não é o Mazza quem se imortaliza. É a Academia de Letras que se fortalece!
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Osmann de Oliveira pertence ao Centro de Letras do Paraná
(Gazeta do Povo, 17/05/98)

Personagem
Mazza na Academia
O jornalista Luiz Geraldo Mazza será empossado hoje na Academia Paranaense de Letras, mérito de quem já entrou para a História
Zeca Corrêa Leite

Como todos os dias a coluna de Luiz Geraldo Mazza estará estampada na edição de amanhã da Folha, na página 2 do primeiro caderno. Tudo normal para o leitor. Porém, para o colunista, o dia ainda estará sob os ecos das emoções de hoje – ao entardecer ele será empossado na cadeira número 20 da Academia Paranaense de Letras. A mesma cujo último ocupante foi o jornalista Samuel Guimarães da Costa.
Mazza não estará sozinho nesta aventura. O também jornalista e empresário Francisco da Cunha Pereira, será entronizado na cadeira número 18, a mesma que pertenceu ao desembargador Manoel de Lacerda Pinto, político, poeta e professor.
A solenidade está marcada para as 18 horas. “Dia claro”, como diriam os antigos, nesta época de horário de verão. A popularidade dos dois novos membros fez com que a Academia providenciasse um auditório espaçoso, a altura para receber os convivas. Será no Centro de Convenções de Curitiba.
Ali, naquele mesmo prédio que foi o imponente Cine Vitória e onde, um dia, Anthony Perkins, Carl Malden e Vivian Leigh (ainda mulher de Tony Curtis) deixaram suas mãos impressas no cimento, como no Teatro Chinês, em Hollywood – episódio que tanto marcou o imaginário de Mazza. Testemunha de tantos acontecimentos, não estava ali na hora em que as mãos ingenuamente, tentavam deixar pistas para a eternidade. Onde estarão hoje suas sombras?
Passaram-se os anos, o Cine Vitória deu lugar ao Centro de Convenções e o Mazza adentra por suas portas como um dos personagens principais da noite. Não é a primeira vez que tem seu coração posto à prova. Tantos outros acontecimentos, como o inesquecível “Baile do Mazza”, no Clube Concórdia, e a entrega do título de Cidadão Honorário de Curitiba, logo em seguida, dentro das comemorações dos 35 anos de jornalismo, em 1985. Tudo chegou a ele como presente dos amigos.
Dois dias antes da posse na Academia Paranaense de Letras, o novo acadêmico ainda não sabia direito se levaria um discurso pronto, ou falaria de improviso, que é uma de suas características mais marcantes. “Talvez faça um texto breve e depois entre no improviso”. Às vésperas de mais uma homenagem, a inquietação do momento.
Em tudo, porém, há um pouco de resgate. Se no calor da juventude deixou de participar da formatura de Direito, a vida vingou-se trazendo-lhe outras festas. “A gente se emociona muito”, confessa.
(Folha do Paraná, 1998)

Mazza, o porta-voz dos paranaenses
Luiz Geraldo Mazza tem 67 anos e nasceu em Paranaguá. Formado em Direito pela UFPR, é Procurador do Estado aposentado, e foi afastado em 74 por questões políticas. Não fez jornalismo porque, na época, não existia ainda o curso acadêmico. Mas interessou-se pela profissão pois, quando jovem, era muito ligado à literatura. “Eu escrevia crônicas sobre o cotidiano no Diário da Tarde”. Mazza é tido, por grande parte da população paranaense, como o porta-voz do povo. “As pessoas me encontram na rua e me agradecem, pois dizem que eu falo o que elas pensam”. Começou escrevendo no jornal Diário da Tarde e no Diário do Comércio, em Paranaguá. Mas iniciou como jornalista profissional no jornal O Estado do Paraná, que era o mais moderno naquele tempo. Trabalhou, também, no jornal Diário do Paraná, jornal Última Hora, TV Paranaense e Canal 6. Atualmente escreve na Folha do Paraná, é comentarista da Rádio CBN e membro da Academia Paranaense de Letras.
Para ele a imprensa está, nos dias de hoje, mais profissionalizada e técnica. Porém tem menos brilho e menos talento. “Ela está meio perdida, os jornais brasileiros sofrem uma crise de identidade, pois são todos parecidos. Estão voltados demais para o visual como se fossem uma tela da internet. Isso facilita a leitura, mas descaracteriza o jornal.
Salários
Mazza classifica o jornalismo como uma profissão excitante e de muito risco. “Para se fazer fortuna só se for com muita malandragem, sendo uma sumidade na área ou atingindo um cargo elevado, como o de executivo comercial. No Paraná não existem condições de mercado para grandes salários. Houve uma época que os jornalistas ganhavam em paralelo com os motoristas de ônibus. Uma vez fiz até uma brincadeira de mau gosto, dizendo que a profissão dos motoristas era mais útil que a de jornalista, pois se faz jornalismo ‘chapa branca’ aqui no Paraná, e a maioria dos jornais ficam devendo à população. A imprensa aqui quando começa a ficar inquieta é porque o governo atrasou o pagamento.” Mazza acredita que existe jornalismo isento, mas não no Paraná. “A ética e a isenção estão no jornalista e não no jornalismo.”
Para as pessoas que estão começando na profissão, Mazza diz que é importante trabalhar duro e ler muito, pois segundo ele esta nova geração não gosta de ler. “Eles não leem nem jornal. Porém são mais exigentes e desempenham melhor a profissão. Antigamente, por ser uma época mais boemia, os jornalistas eram mais folgados e confiavam muito no talento pessoal.”
(Correio Paranaguense, 8 de junho de 1998)

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