LEGENDA: A página de Luiz Geraldo Mazza no jornal Correio de Notícias, a exemplo da página assinada por ele para o jornal Indústria & Comércio, era composta da matéria principal e de diferentes sessões como Jango-jangote, Apelido e Grafitti onde o jornalista utilizando os recursos do humor e da ironia registra, de maneira sintética, fatos ocorridos na cidade, alcunhas dadas a personalidades da política e cultura local e comenta grafittis escritos em paredes de logradouros públicos.

9 de setembro de 2019 Off Por Redação
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LEGENDA: A página de Luiz Geraldo Mazza no jornal Correio de Notícias, a exemplo da página assinada por ele para o jornal Indústria & Comércio, era composta da matéria principal e de diferentes sessões como Jango-jangote, Apelido e Grafitti onde o jornalista utilizando os recursos do humor e da ironia registra, de maneira sintética, fatos ocorridos na cidade, alcunhas dadas a personalidades da política e cultura local e comenta grafittis escritos em paredes de logradouros públicos. (pesquisa de Selma Suely Teixeira para o livro Luiz Geraldo Mazza e Eloi Zanetti comunicadores do Paraná, de sua autoria)

Jango-jangote
Um estudo do IPPUC sobre privadas públicas virou motivo de gozação nos meios políticos que continuam a cultivar a dicotomia com os tecnoburocratas. Isso porque relacionou as posturas possíveis de quem as viria utilizar para um ou outro fim. Não é sofisticação. Ademais em matéria de evacuar de repente ou planejadamente, sem pedir licença a ninguém, os políticos são donos da área. E o fazem até nas galáxias. ● Luís Carlos Martins está mostrando na Colombo que mantém seu carisma. Érico Morbis, sócio do radialista, embaladíssimo, apesar das pontes de safena. ● Ali Chaim completa 48 anos de idade e 26 de jornalismo. Criou um estilo, a linguagem aculturada da marginália e da polícia com a adulterada. ● Pepsicologia é a ciência tipicamente gaúcha e aplicada ao “marketing” que explica o predomínio da Pepsi sobre a Coca. ● Carlos Marassi volta das férias e assume o comando de um programa de assuntos da cidade no Canal 4. ● Convenhamos que apesar de toda a fantasia sobre os feitos de Curitiba em urbanismo, comportamento, ninguém cuidou nos jornais de criar editoriais de cidade. Eles ajudariam a vacinar contra delírios e empulhações.
(Correio de Notícias, 25 de janeiro de 1987. p.4)

Jango-Jangote
Movimento em Paranaguá está objetivando lançar João Elísio a deputado estadual, em 1990, como o candidato único da região e com sentido suprapartidário. O litoral não se conforma de não ter delegados. ● Nos relatos jornalísticos do encontro do Ministro da Justiça com os governadores fala-se num consenso de seis anos para o mandato de Sarney. Álvaro é por quatro anos, com direito à reeleição. ● Airton Cordeiro e Zé Maria Correa ontem, no Bom dia Paraná. Era um retrato do sinal dos tempos: o Cordeiro ferrando o autoritarismo, denunciando a farsa da reeleição de Ulysses como inconstitucional e o vereador, outrora fogoso, com uma pedagogia de prior de convento. ● Cúmulo do absurdo: o Presidente da Federação das Micros e Pequenas Empresas quer uma secretaria no governo. Sugere-se um anão para comandá-la e um exército de gnomos como assessores. Corporativismo radical é esse aí. Próximo da microcefalia.
(Correio de Notícias, 28 de janeiro de 1987. p.4)

Apelido

Aníbal Khuri é o Buda. Canet, o espanhol. Pimentel, o Vaqueiro Alegre. Luis Roberto Soares, o Cosqui. Sobre ele e seu conterrâneo, Ervin Bonkoski, diziam o seguinte: um é o ruim cosqui, outro o bom cosqui. Em termos de votos, é claro. Intelectualmente seria uma brincadeira, o confronto.
(Correio de Notícias, 17 de março de 1988. p.4)

Andam chamando um secretário de Estado muito ligeiro, que chega antes do que o governador em ocorrências externas, de inspetor de Deus. A caricatura surge de uma anedota: a de que alguém, um secretário, foi visto numa determinada pasta a esculachar um velhinho que estava numa cadeira. O velhinho era Deus, com cuja performance o secretário não se conformava.
(Correio de Notícias, 21 de março de 1988. p.4)

Ferry-boat era o apelido de um engenheiro que tem o hábito de ir de uma esquina a outra e variando de companheiro na caminhada. Um dia pintou na cidade um doente, portador de delírio ambulatório, que andava em andrajos e carregando sapatos velhos, pedaços de madeira, uma parafernália. Apelidaram-no por causa do engenheiro de “ferry-boat” de carga. É que o outro era de passageiros.
(Correio de Notícias, 22 de março de 1988. p.4)

Manoel Ribas era Maneco Facão porque, de saída, cortou despesas, demitiu funcionários, enxugou a máquina do governo estadual. Comparação impossível com os governos de hoje que recuam à primeira resistência do estamento funcional e político que os protegem.
(Correio de Notícias, 24 de março de 1988. p.4)

Por que o Esmaga, Alvino Cruz, é assim chamado? Simples: por viver na Boca Maldita, apelidada de praia da merda (o odor dos bueiros, a presença do rio Ivo), costuma esmagar dejetos.
(Correio de Notícias, 15 de abril de 1988. p.4)

O mais ligeiro da política paranaense é o José Carlos de Carvalho; tanto como secretário ou dirigente empresarial. Desde ontem perdeu o cetro para Roberto Requião que foi ao Rio dar uma entrevista na TVE com seis dias de antecedência. Cadafi Alípede (que tem asas nos pés) é o novo batismo.
(Correio de Notícias, 21 de abril de 1988. p.4)

Grafittis
Um grafite escatológico recomenda ao respeitável público que, à falta de comida (Plano Cruzado, custo de vida) se alimente de dejectos. “Afinal” – explica a criação inscrita num muro do Bigorrilho – “não é possível que 3 bilhões de moscas estejam equivocadas”.
(Correio de Notícias, 18 de janeiro de 1987. p.4)

“Não é o tempo que voa. Sou eu que vou devagar”. O flash é de Helena Kolody e também anda pelas paredes de Curitiba, centro da cidade.
(Correio de Notícias, 4 de março de 1988. p.4)

“O que é do Holmes o bicho não come”. Trocadilho a carvão em parede de wiskaria.
(Correio de Notícias, 17 de março de 1988. p.4)

Na Monsenhor Celso, uma paródia de Descartes que, dizem as más línguas, baixa em sessão espírita para ajudar o Requião a escrever cartas: “Penso, logo amo”. A paródia não é cartesiana à medida em que nem sempre o amar é o existir. Isso aqui está ficando pernóstico e parecendo editorial de jornalão.
(Correio de Notícias, 18 de março de 1988. p.4)

Nos muros próximos à linha férrea, na altura do alto da Rua XV: “Amar é… libertar-se do eu, fundir-se no tu, para formar o nós”. Tudo bem. Só que às vezes há nós demais e que amarram, enforcam.
(Correio de Notícias, 21 de março de 1988. p.4)

“Lauro//você é o remédio// para meu mal//” Está num muro da Avenida Batel. Para a emissora da mensagem o Lauro não tem contraindicações e nem dá choque anafilático. Tudo, porém, depende da dosagem.
(Correio de Notícias, 24de março de 1988. p.4)

“Teus olhos azulejam minha alma.” Este recado camoniano à namorada está em paredes do Batel. E há o requintado “você criou o seu aquário existencial e nele nada; eu, de fora, olho e choro.” Desse jeito forma um aquário com lágrimas. O saque é do Cristo Rei.
(Correio de Notícias, 2 e 3 de abril de 1988. p.4)

“Faça como a galinha: proteja o seu pintinho. A AIDS mata”. Está no tapume do prédio na esquina da Barão do Rio Branco e Rua XV.
(Correio de Notícias, 14 de abril de 1988. p.4)

“Cílios de uma gruta. Quem começou essa de pichar muro?” Razoável o saque no Alto da Glória, menos interessante, porém, do que o registro naquele muro recém-pintado em branco: “eta murão bão!”
(Correio de Notícias, 16 e 17 de abril de 1988. p.4)

“Entre. A casa é sua”. Eis a amável inscrição nas paredes do Cemitério da Água Verde. Aliás, grafitar parede de cemitério é um impulso muito comum nos jovens que tendem a dissimular indiferença diante da morte, uma das “poses” do nosso tempo. O cemitério de Santa Felicidade é uma evidência dessa dessacralização que os mais velhos simplesmente acusam de “falta de sentimento”, curtição do caos.
(Correio de Notícias, 22 de abril de 1988. p.4)

Um exercício de poesia concreta e poesia práxis no Jardim Mercês. Num imenso muro branco, um grafiteiro colocou a palavra “só”. Nunca, antes disso, nem na poesia, se obteve noção tão precisa da solidão.
(Correio de Notícias, 25 de abril de 1988. p.4)

“Se sua estrela não brilha, não procure apagar a minha”. Frase nos muros do Hugo Lange. Não se sabe se é uma declaração da Texaco dirigida ao PT ou vice-versa por terem logomarcas parecidas.
(Correio de Notícias, 27 de abril de 1988. p.4)

“O salário sobe pela escada de serviço, a inflação pelo elevador”. Essa “novíssima” mas ajustadinha ao momento, apareceu em alguns muros do Portão e Novo Mundo.
(Correio de Notícias, 28 de abril de 1988. p.4)

“O casamento é o único tipo de guerra em que se dorme com o inimigo”.
Debochadíssima, modernosa, enfeita paredes no Jardim Social.
(Correio de Notícias, 24 de maio de 1988. p.4)

“ Sonhei sempre com Omar Sharif e casei com um almoxarife”.
A declaração conformista e espirituosa está em paredes do Jardim Centenário.
(Correio de Notícias, 13 de junho de 1990. p.4)

“Nem só de pão vive o homem, mesmo sendo padeiro”.
Agora começa a pintar filosofia nas Mercês.
(Correio de Notícias, 2 de julho de 1991. p.4)


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