No dia 24 de agosto de 1983 o jornalista Luiz Geraldo Mazza abre espaço em sua coluna Por trás da notícia para denunciar o desaparecimento de obras de arte pertencente ao acervo do Estado.

8 de agosto de 2019 Off Por Redação
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No dia 24 de agosto de 1983 o jornalista Luiz Geraldo Mazza abre espaço em sua coluna Por trás da notícia para denunciar o desaparecimento de obras de arte pertencente ao acervo do Estado. Em matéria intitulada “Obras de arte foram desviadas”, Mazza escreve sobre o desaparecimento de 30 obras que integravam o acervo do Museu Alfredo Andersen sendo, 17 delas, de autoria de Andersen. (pesquisa de Selma Suely Teixeira para o livro Luiz Geraldo Mazza e Eloi Zanetti comunicadores do Paraná, de sua autoria)

Obras de arte foram desviadas

Agora a denúncia é em preto e branco: Clarete de Oliveira Maganhotto, diretora do Museu Casa Alfredo Andersen diz que sumiram 30 obras do acervo daquela unidade cultural, 17 delas são telas de Andersen, de valor inestimável. É o afano de colarinho duro que jamais será punido. Se o governo estadual e municipal se detivesse nesse assunto, só para um teste, teria matéria-prima para um Tribunal de Nuremberg. Uma ameaçada forte nos mãos leves poderia ser seguida de uma chance para que devolvessem, de madrugada, os quadros e que não haveria punição. Passadas 24 horas poder-se-ia publicar as fotos dos quadros sumidos só para esquentar a moringa dos safadões que ainda esnobam com a pinacoteca oficial. Como Curitiba é a terra da entrega, em pouco tempo invejosos da mesma classe social, irritados porque não botaram a mão nesse tipo de patrimônio público, delatariam com detalhes onde as preciosidades se encontram. Se alguém invocasse um princípio de ética para não apontar objetos desviados seria o máximo em matéria de “non sense”. Quem está, por exemplo, com a “Dama de Verde”, “Paisagem do Itiberê”, “Porto de Paranaguá”. De 18 esculturas de Erbo Stenzel, sumiram 3. Desapareceram ainda 10 telas da pintora Maria Amélia d’Assumpção. Em várias repartições desapareceram quadros (prêmios de aquisição em alguns casos), escultura, tapeçarias, uma fortuna. Dizem que um, denominado “O Ciclista”, saiu pedalando de um gabinete numa cena cabível num filme dos irmãos Marx. O pior é a avacalhação dos inventários públicos que somem com as obras. 
(Indústria & Comércio, 24 de agosto de 1983.p.3B)


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