Em janeiro de 1959 o jornal Última Hora passa a publicar, no Paraná, sua versão nacional com matérias locais.

18 de março de 2019 Off Por Redação
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Em janeiro de 1959 o jornal Última Hora passa a publicar, no Paraná, sua versão nacional com matérias locais. Criado por Samuel Wainer oito anos antes como um “”jornal de oposição à classe dirigente e a favor de um governo”, segundo palavras do próprio Wainer registradas no livro História Cultural da Imprensa Brasil: 1900-2000, de Marialva Barbosa, o Última Hora Paraná circulou entre janeiro de 1959 e 12 de maio de 1964. Dirigido no período dezembro de 1961 a maio de 1963 por Ari Carvalho e por Carlos Eduardo Fleury, entre maio de 1963 a maio de 1964, o jornal publicou, nos cinco anos de sua circulação no Paraná, matérias que registravam ações e fatos políticos como “Cafeicultores vão exigir do governo novo preço mínimo: ameaça de greve”; “Operários em papel: luta salarial inclui escala móvel de ordenados!”; “ Fidel Castro a Jango: ‘Sigam nossa experiência em sua Reforma Agrária’”; “Seis horas de debate sobre Reforma Agrária: JB [José Bonifácio Coutinho Nogueira] convenceu os deputados”; “Reverenciados os mortos da Intentona Comunista”; “Jango convoca nação para vencer nas urnas batalha das reformas”; “Golpe no Congresso contra Jango: impeachment para por Mazzilli na Presidência”; “Darci em Curitiba: ‘Reforma de base é solução para tudo’”; “ABI em sessão permanente até a libertação dos jornalistas”; “Civis: 100% só para os que ganham pouco”; “Aumento de 80% na gasolina já está em vigor”; e “Jornalistas partem chorando para o exílio: 44 ainda nas embaixadas” , matéria que descreve o destino dos jornalistas exilados pelo golpe de 64 incluindo o de Samuel Wainer, fundador do jornal. 
Em Última Hora Paraná Luiz Geraldo Mazza atuou como chefe de redação, repórter e colunista. Tal atividade, associada à sua atuação sindical levaram à sua cassação em 1964. A punição política resultou na perda de emprego nos jornais em que trabalhava e também seu afastamento da Secretaria Executiva do Conselho Estadual de Turismo, no período compreendido entre os anos 1964 e 1970. 
Trinta e cinco anos após a cassação, no dia 25 de agosto de 1999, Luiz Geraldo Mazza recebeu, ao lado dos também jornalistas Walmor Marcellino e Milton Ivan Heller, o Prêmio Heleno Fragoso pelos Direitos Humanos concedido pela Ordem dos Advogados do Brasil, subseção Paraná. A justa homenagem foi registrada nas páginas do jornal Folha do Paraná. (pesquisa de Selma Suely Teixeira para o livro Luiz Geraldo Mazza e Eloi Zanetti comunicadores do Paraná, de sua autoria)

19-3-19
Mazza recebe prêmio nos 20 anos da Anistia
Israel Reinstein
De Curitiba

O regime ditatorial não poderá cair no esquecimento. Este foi o principal recado deixado ontem pelos homenageados com o Prêmio Heleno Fragoso pelos Direitos Humanos, concedido aos jornalistas Luiz Geraldo Mazza, Milton Ivan Heller e Walmor Marcellino pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Paraná. A premiação aconteceu exatamente no ano em que se comemora os 20 anos da Anistia e também do prêmio.
“Uma nova geração está se formando que desconhece o esforço dessas pessoas pela manutenção da democracia”, afirmou o diretor-superintendente da Folha de Londrina/Folha do Paraná, advogado João Antônio Vieira.
Na avaliação do presidente da Ordem dos Advogados (seção Paraná), Edgard Luiz Cavalcanti, foi uma maneira de avivar os excessos cometidos durante o regime militar. 
“Coube aos profissionais de imprensa, com apoio da OAB, registrar estes fatos, salvaguardando a memória brasileira”, lembrou o jurista Rene Ariel Dotti.
Para o advogado foi a luta da imprensa de todo o País que acabou possibilitando a retomada do regime democrático. “O esforço de pessoas que mantiveram seus ideais, em um período em que não era possível, provocou a anistia”, afirmou o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Wagner D’Angelis. 
No entanto, o jornalista e colunista da Folha de Londrina/Folha do Paraná, Luiz Geraldo Mazza, entende que o grande ato que provocou o retorno da democracia foi um seminário promovido pela OAB Paraná, em 1978. 
Para Mazza, a homenagem feita pela OAB do Paraná deve ser estendida a todos os profissionais da área que igualmente defenderam a democracia. 
(Folha do Paraná, 26-08-99)

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